{"id":7330,"date":"2018-12-31T06:51:16","date_gmt":"2018-12-31T11:51:16","guid":{"rendered":"https:\/\/kulanuarchive.kulanu.org\/?page_id=7330"},"modified":"2019-04-05T08:13:50","modified_gmt":"2019-04-05T12:13:50","slug":"tornando-se-judeus-no-brasilum-prefacio","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/kulanu.org\/archive\/communities\/brazil\/becoming-jewish-in-brazil\/tornando-se-judeus-no-brasilum-prefacio\/","title":{"rendered":"Tornando-se judeus no Brasil:\tUm pref\u00e1cio"},"content":{"rendered":"<h2><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-7341\" src=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/braz-1280px-Flag_of_Brazil-1-1024x716.jpg\" alt=\"\" width=\"184\" height=\"128\" srcset=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/braz-1280px-Flag_of_Brazil-1-1024x716.jpg 1024w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/braz-1280px-Flag_of_Brazil-1-300x210.jpg 300w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/braz-1280px-Flag_of_Brazil-1-768x537.jpg 768w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/braz-1280px-Flag_of_Brazil-1-275x190.jpg 275w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/braz-1280px-Flag_of_Brazil-1.jpg 1277w\" sizes=\"(max-width: 184px) 100vw, 184px\" \/><\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/communities\/brazil\/becoming-jewish-in-brazil\/\"><i>English version<\/i><\/a><\/p>\n<p>Por Sarah Leiter<br \/>\nKulanu Magazine, Outono de 2018<br \/>\nVers\u00e3o em portugu\u00eas<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, um n\u00famero crescente de brasileiros est\u00e1 mudando para o juda\u00edsmo saindo de v\u00e1rias\u00a0 enomina\u00e7\u00f5es do cristianismo. Esperando descobrir o porque, eu viajei dos Estados Unidos para o Brasil em maio deste ano para encontrar alguns desses novos judeus.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-7337 alignleft\" src=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_2274.jpg\" alt=\"\" width=\"528\" height=\"382\" srcset=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_2274.jpg 920w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_2274-300x217.jpg 300w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_2274-768x555.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 528px) 100vw, 528px\" \/>Depois de n\u00e3o conseguir visitar duas comunidades emergentes que est\u00e3o desmoronadas sem apoio institucional judaico, eu fui para Bras\u00edlia, a capital do pa\u00eds. L\u00e1, uma comunidade de quase vinte pessoas praticando juda\u00edsmo me recebeu imediatamente como um membro da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Por v\u00e1rias semanas, eles me hospedaram na sinagoga deles, um edif\u00edcio de tr\u00eas andares no centro da cidade. Eles me proporcionaram in\u00fameras refei\u00e7\u00f5es, todos vegetarianos por causa das minhas pr\u00f3prias prefer\u00eancias alimentares e, tamb\u00e9m, porque a carne casher, o \u00fanico tipo que eles comem, geralmente esta indispon\u00edvel. Eu os ouvi substituir o \u201cobrigado\u201d ocasional com um \u201ctodah\u201d hebraico, aprendido com o israelense que eles empregam para lhes ensinar hebraico conversacional toda semana. Eu vi como eles buscaram interpreta\u00e7\u00f5es rab\u00ednicas nos smartphones deles e escutei como eles tocaram melodias lit\u00fargicas nos carros. E cada Shabat, eu cantei com eles enquanto eles enchiam o edif\u00edcio da sinagoga com harmonias hebraicas reminiscentes da minha inf\u00e2ncia numa comunidade judaica na Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>Eu vim para esta comunidade como uma estudante de doutorado em antropologia. Um objetivo da antropologia \u00e9 dar mais oportunidades \u00e0s vozes a serem ouvidas, adicionar nuan\u00e7a e compreens\u00e3o \u00e0s v\u00e1rias maneiras que vivemos como humanos. O objetivo \u00e9 escutar.<\/p>\n<p>Um dia em Bras\u00edlia, almo\u00e7ando ao lado do lago, eu perguntei para um membro da comunidade sobre o que ele pensava que um artigo sobre eles deveria incluir. A resposta dele: \u201cs\u00f3 conte nossas hist\u00f3rias.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Rodrigo e Sophia<img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-7336\" src=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_1123.jpg\" alt=\"\" width=\"494\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_1123.jpg 1017w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_1123-300x207.jpg 300w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_1123-768x531.jpg 768w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_1123-275x190.jpg 275w\" sizes=\"(max-width: 494px) 100vw, 494px\" \/><\/h4>\n<p>A primeira vez que eu vi Rodrigo, de 34 anos, e Sophia, de 30 anos, eles estavam tirando os capacetes de moto e pedindo um Uber para um restaurante vegano. O casal era relativamente novo na comunidade; eles se conhecerem num aplicativo de namoro s\u00f3 um ano atr\u00e1s e celebraram o casamento deles cinco meses depois disso. Sophia, uma farmac\u00eautica, aprendeu ingl\u00eas sozinha e viaja frequentemente. Rodrigo, que trabalha com tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, tem uma afinidade para misticismo judaico e as interse\u00e7\u00f5es entre hist\u00f3rias judaicas e brasileiras.<\/p>\n<p>Apesar dos rec\u00e9m-casados terem vindo de bases crist\u00e3o e espiritualista, eles tinham mudado para o juda\u00edsmo no momento em que eles se casaram. Apesar deles ainda n\u00e3o conseguiram se converter, a cerim\u00f4nia de casamento deles incluiu v\u00e1rios elementos simb\u00f3licos que celebram o juda\u00edsmo deles.<\/p>\n<p>Desde o casamento, eles t\u00eam participado nos servi\u00e7os de Shabat na sinagoga toda semana, aprendido hebraico conversacional com o resto da comunidade, e conduzido a Havdallah com uma vela trazida duma viagem para Tsfat. Se voc\u00ea escutasse com aten\u00e7\u00e3o, talvez voc\u00ea ou\u00e7a Rodrigo dizendo \u201cbaruch hashem\u201d alguns vezes nas conversa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar do acesso limitado deles para institui\u00e7\u00f5es judaicas oficiais no Brasil, Rodrigo, em particular, fica ansioso para passar pelo processo de convers\u00e3o. Ele me perguntou se eu poderia apresent\u00e1-lo aos rabinos americanos que sejam dispostos ajudar estrangeiros, como ele tinha pouca esperan\u00e7a que a convers\u00e3o dele seria suportada pelos rabinos no Brasil. A hist\u00f3ria sobre como ele e sua esposa se tornaram judeus, como as hist\u00f3rias de todos os outros na comunidade, deve ser continuada.<\/p>\n<h4>Isaac<\/h4>\n<p>Isaac, de dezesseis anos, foi introduzido para a comunidade pelo irm\u00e3o mais velho dele quando a fam\u00edlia ainda era crist\u00e3. Um adolescente jovem naquela \u00e9poca, Isaac come\u00e7ou a pesquisar o juda\u00edsmo sozinho. Ele come\u00e7ou a estudar hebraico porque, como ele me disse, \u201co juda\u00edsmo n\u00e3o existe sem hebraico\u2014a Torah \u00e9 em hebraico.\u201d Numa outra conversa\u00e7\u00e3o, quando eu pedi a ele o significado de uma palavra em portugu\u00eas, ele a traduziu para hebraico porque foi mais f\u00e1cil lembrar do que o ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Uma tarde, enquanto esperando juntos o pai dele chegar, Isaac me disse que os colegas de escola dele pensavam que ele \u00e9 estranho. N\u00e3o foi legal, ele confessou atrav\u00e9s do riso, de ler constantemente sobre juda\u00edsmo, hist\u00f3ria e pol\u00edticas mundiais, mas ele gostava de fazer isso de qualquer maneira\u2014mesmo se tornando a \u00fanica pessoa judia na escola lhe deu um novo apelido, \u201cjudeu.\u201d<\/p>\n<p>Hoje em dia, Isaac geralmente \u00e9 o \u00fanico membro da fam\u00edlia na sinagoga cada Shabat. Ele mesmo dorme em um colch\u00e3o extra no edif\u00edcio quando ele n\u00e3o acha uma carona para casa e volta entre os servi\u00e7os de sexta-feira e s\u00e1bado.<\/p>\n<p>Apesar dele nunca ter viajado de avi\u00e3o, Isaac sonha em um dia embarcar um voo para Israel e servir nas For\u00e7as de Defesa de Israel. Ele quer participar numa viagem de \u201cBirthright\u201d quando ele for mais velho tamb\u00e9m. Mas primeiro, <img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-7340 alignleft\" src=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_3095-1-1024x679.jpg\" alt=\"\" width=\"519\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_3095-1-1024x679.jpg 1024w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_3095-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_3095-1-768x509.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 519px) 100vw, 519px\" \/>ele espera se converter.<\/p>\n<h4>Alice e Sean<\/h4>\n<p>Um domingo numa igreja brasileira, Sean, o filho dum pastor evang\u00e9lico, percebeu uma menina com cabelo loiro encaracolado. Ele se aproximou por ela com uma linha de pick-up corajoso: \u201cquando nos casaremos?\u201d<\/p>\n<p>Aquele domingo foi mais de 25 anos atr\u00e1s. Hoje em dia, Sean e Alice, a menina com os cachos loiros, s\u00e3o casados e t\u00eam tr\u00eas filhas adolescentes. Sean \u00e9 o presidente da sinagoga que eu visitei em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>A jornada deles para o juda\u00edsmo, eles me explicaram, envolveu v\u00e1rios ciclos de interroga\u00e7\u00e3o, de educa\u00e7\u00e3o, de desconstru\u00e7\u00e3o, e de reconstru\u00e7\u00e3o. Ela come\u00e7ou quase uma d\u00e9cada atr\u00e1s numa igreja protestante, onde Alice costumava virar para o marido dela com descren\u00e7a no que o pastor estava pregando; discordou em como eles viam o mundo. Logo, a fam\u00edlia parou de frequentar a igreja e se distanciou do cristianismo ao todo. Por quase cinco anos, eles ficaram n\u00e3o afiliados com nenhuma religi\u00e3o. Ent\u00e3o, atrav\u00e9s do que a irm\u00e3o de Alice encontrou na internet, eles descobriram o juda\u00edsmo.<\/p>\n<p>Para eles, o que eles aprenderam s\u00f3 faz sentido. As \u00eanfases judaicas em estudar, em ser am\u00e1vel para os outros, e em seguir mandamentos que forneceriam uma estrutura pr\u00e1tica para uma boa vida os atra\u00edram. Ent\u00e3o, eles come\u00e7aram a procurar sinagogas locais para visitar.<\/p>\n<p>Visitar as sinagogas provou ser mais dif\u00edcil que eles haviam imaginado; a maioria simplesmente eram fechadas para visitantes que n\u00e3o eram judeus. Finalmente, a Alice e o Sean encontraram uma que era excepcionalmente acolhedora\u2014e logo eles perceberam que foi uma congrega\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica.<\/p>\n<p>Sentindo \u201cenganados,\u201d eles rapidamente sa\u00edram do grupo messi\u00e2nico e eles mergulharam em uma pr\u00e1tica estrita de juda\u00edsmo ortodoxo. Eles encontraram outros como eles, outros que queriam ser judeus mas n\u00e3o tinham congrega\u00e7\u00e3o com a qual aprender, e contrataram um rabino ortodoxo como professor. Eles fizeram tudo exatamente como o rabino os ensinou; Alice come\u00e7ou a se vestir modestamente nas saias longas, e Sean come\u00e7ou a se preparar para o hatafat dam brit que ele acabaria por passar sob a supervis\u00e3o de um homem que alegou ser rabino.<\/p>\n<p>Eventualmente, o casal decidiu que o aprendizado judaico foi mais importante para eles do que seguindo as tradi\u00e7\u00f5es \u201ccorretamente.\u201d Ao lado do resto da comunidade, eles mudaram para o juda\u00edsmo reformista. A filha mais velha deles se tornou a chazan da comunidade.<\/p>\n<p>Eu perguntei para Alice se ela pensa que a pr\u00e1tica religiosa deles pode mudar novamente no futuro, porque a fam\u00edlia dela passou por tantas intera\u00e7\u00f5es do cristianismo e do juda\u00edsmo. Ela me disse que era poss\u00edvel, certamente, porque uma vontade de aprender significou uma vontade de se mudar. Mas \u00e9 claro que no juda\u00edsmo deles, eles finalmente t\u00eam encontrado o que faz sentido para eles.<\/p>\n<h4>Betsalel<img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-7338\" src=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_2889-1-1024x750.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_2889-1-1024x750.jpg 1024w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_2889-1-300x220.jpg 300w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_2889-1-768x562.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/h4>\n<p>O Betsalel, o artista residente, fez Bras\u00edlia a cidade dele em parte por causa do c\u00e9u. Como professor da arquitetura e do planejamento urbano com uma propens\u00e3o para espa\u00e7os abertos, ele se mudou para a cidade pela abertura. A vida de Betsalel mudou durante uma viagem em 2005 para Salvador, onde, na casa da m\u00e3e dele, ele encontrou uma b\u00edblia hebraica. Ele come\u00e7ou a ler. E ele continuou a ler. Ele leu tudo que ele conseguiu encontrar sobre o juda\u00edsmo. Foram as obras traduzidas de rabino Aryeh Kaplan de Nova Iorque que o catapultou na vida judaica.<\/p>\n<p>Aconteceu de eu estar num carro com o Betsalel\u2014quem estava vestindo uma kippah e tocando m\u00fasica israelense\u2014no in\u00edcio da greve de caminhoneiros, uma crise nacional que cortou gasolina, combust\u00edvel de avi\u00e3o e entregas de comida para muitos lugares do pa\u00eds por cerca de uma semana. No carro, n\u00f3s passamos por uma longa fila de caminh\u00f5es buzinando que estavam avan\u00e7ando em dire\u00e7\u00e3o aos edif\u00edcios mais importantes do governo. Antes que eu pudesse perguntar sobre os caminh\u00f5es, Betsalel desviou para uma rua lateral e disse, \u201cvamos conversar sobre coisas mais altas\u201d\u2014especificamente, sobre a cria\u00e7\u00e3o do mundo como est\u00e1 escrito na Torah. Com o Betsalel, t\u00f3picos de conversas mundanas como a pol\u00edtica brasileira poderiam esperar.<\/p>\n<h4>Katy<\/h4>\n<p>Katy, de 58 anos, do Rio de Janeiro, tem ascend\u00eancia africana no lado de m\u00e3e e ascend\u00eancia ind\u00edgena no lado de pai. Tomando-se depois de sua m\u00e3e bailarina, Katy fez gin\u00e1stica por quatro d\u00e9cadas. Hoje em dia, os p\u00e9s dela ainda mudam constantemente: atrav\u00e9s da cidade nos protestos pol\u00edticos, ao redor do parque enquanto conversa com todos que ela encontra, na sinagoga enquanto ela limpa antes de Shabat.<\/p>\n<p>Katy n\u00e3o foi criada numa religi\u00e3o particular, mas ela frequentou uma igreja crist\u00e3 por algum tempo na vida adulta, at\u00e9 ela perceber que o que eles estavam pregando n\u00e3o alinhava bastante com o que ela estava lendo. Durante um per\u00edodo de tr\u00eas anos, ela perguntava e ela pesquisava. Ent\u00e3o, ela se deparou com um v\u00eddeo na internet dum homem falando sobre o juda\u00edsmo. Como Katy o descreveu, foi como de repente ela deu um passo na realidade.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o pela vida como judia n\u00e3o foi f\u00e1cil. No n\u00edvel pr\u00e1tico, ela teve que mudar a dieta radicalmente, desistindo a conviv\u00eancia e o prazer de comprar comida onde quer que estivesse dispon\u00edvel. No n\u00edvel intelectual, ela teve que perceber que, como Katy disse, ela foi \u201cenganada\u201d pelas outras religi\u00f5es cujas l\u00edderes insistiram que eles estavam ensinados a realidade absoluta.<\/p>\n<p>No mesmo tempo, mudando para o juda\u00edsmo, parecia como chegando em casa nas maneiras grandes e pequenas. Quando ela aprendeu mais sobre a religi\u00e3o, ela descobriu que v\u00e1rias tradi\u00e7\u00f5es na pr\u00f3pria fam\u00edlia dela tinham ra\u00edzes judaicas, mesmo se nunca foram enquadrados nessa maneira. A m\u00e3e de Katy, por exemplo, sempre ensinou que o porco foi uma carne ran\u00e7osa que n\u00e3o era para ser comida.<\/p>\n<p>Para Katy, a comunidade emergente em Bras\u00edlia est\u00e1 a base rochosa e o cora\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica judaica dela. Apesar ela ser a \u00fanica membro da fam\u00edlia biol\u00f3gica dela que pratica o juda\u00edsmo, ela fala sobre a comunidade da sinagoga como uma fam\u00edlia. Quando eles aprendem inicialmente sobre o juda\u00edsmo, o grupo n\u00e3o sabia como dar um \u00fanico passo para dentro da religi\u00e3o escolhida deles, ent\u00e3o eles encontraram educadores que os ensinariam a andar. Desde ent\u00e3o, cada passo pequeno tem sido junto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-7335 aligncenter\" src=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_44d9.jpg\" alt=\"\" width=\"1004\" height=\"701\" srcset=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_44d9.jpg 1004w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_44d9-300x209.jpg 300w, https:\/\/kulanu.org\/archive\/wp-content\/uploads\/brz-IMG_44d9-768x536.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1004px) 100vw, 1004px\" \/><\/p>\n<h4>Lynnclaire<\/h4>\n<p>Lynnclaire \u00e9 uma estudante de estat\u00edsticas na universidade local e a mais velha de tr\u00eas irm\u00e3s. Ela aprendeu hebraico sozinha e agora serve como a chazzan da comunidade. Ela espera se mudar para Israel porque, ela me disse que ser judia e seguir leis judaicas seriam mais f\u00e1ceis l\u00e1.<\/p>\n<p>Lynnclaire tenta guardar o Shabat se abstendo de escrever e usar dispositivos eletr\u00f4nicos. Na verdade, a observ\u00e2ncia do Shabat dela iniciou o estabelecimento da comunidade como organiza\u00e7\u00e3o localmente registrada, porque ela precisou de documenta\u00e7\u00e3o institucional a fim de reprogramar os exames da universidade aos s\u00e1bados. Enquanto ela det\u00e9m uma quantidade surpreendente de conhecimento sobre tradi\u00e7\u00f5es judaicas e interpreta\u00e7\u00f5es rab\u00ednicas, \u00e9 na pr\u00e1tica do juda\u00edsmo que ela se sente mais viva. Um dia, enquanto refletindo sobre a diferen\u00e7a entre a vida agora e a vida antes de encontrar o juda\u00edsmo, ela comentou comigo, \u201ceu sinto como se n\u00e3o tivesse vivido antes.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma vez perguntei a Lynnclaire se ela pensava que a comunidade era diferente das outras comunidades judaicas no Brasil ou no mundo. Ela pensou por um momento, e depois, como qualquer judeu, respondeu com uma outra pergunta: \u201cna verdade, todas as comunidades t\u00eam suas diferen\u00e7as, n\u00e9?\u201d<\/p>\n<p>A sabedoria de Lynnclaire ecoou o que antrop\u00f3logos t\u00eam redescobertos desde o nascimento da disciplina quase um s\u00e9culo atr\u00e1s: muitas vezes, \u00e9 nas nossas diferen\u00e7as que encontramos semelhan\u00e7as.<\/p>\n<p>Pode-se ver a diferen\u00e7a em Aberto, um brasileiro que orgulhosamente declara que ele \u00e9 t\u00e3o velho quanto o estado de Israel, mas no momento em que ele ajuda a construir uma comunidade de pessoas que t\u00eam arrancado e replantado suas vidas religiosas, ele exp\u00f5e um desejo reconhec\u00edvel de se aterrar em um sentido de patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Pode-se ver a diferen\u00e7a em Davison, um afro-brasileiro que lidera ora\u00e7\u00f5es hebraicas, mas nas preocupa\u00e7\u00f5es autoconscientes dele sobre se identificar como judaico enquanto aparecendo n\u00e3o ser judeu, ele reflete uma ansiedade humana familiar sobre a perten\u00e7a.<\/p>\n<p>Enquanto falava com cada membro da comunidade, eu fiquei impressionada com o quanto o riso decorou as hist\u00f3rias deles. Foi um riso que ecoou a alegria com que eles vivem suas vidas, a felicidade deliberada que eles trazem na pr\u00e1tica do juda\u00edsmo e o prazer genu\u00edno que tem vindo junto com isso. O riso deles foi o pref\u00e1cio das hist\u00f3rias que eles est\u00e3o apenas come\u00e7ando a contar.<\/p>\n<p>Os nomes inclu\u00eddos neste artigo s\u00e3o pseud\u00f4nimos, a maioria dos quais foram escolhidos pelas pessoas reais cujas hist\u00f3rias s\u00e3o contadas aqui. Obrigada \u00e0 maravilhosa comunidade que me hospedou, ao membro da diretoria de Kulanu Daneel Schaechter, e a uma Bolsa de Pesquisa de Campo do Tinker Foundation e do Instituto Latino Americano e Ib\u00e9rico da Universidade do Novo M\u00e9xico. A visita ao Brasil\u2014e este artigo\u2014n\u00e3o teria sido poss\u00edvel sem eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>English version Por Sarah Leiter Kulanu Magazine, Outono de 2018 Vers\u00e3o em portugu\u00eas Na \u00faltima d\u00e9cada, um n\u00famero crescente de <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":6986,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"page-template\/full-width.php","meta":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v18.3 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Tornando-se judeus no Brasil: Um pref\u00e1cio - Kulanu<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"English version Por Sarah Leiter Kulanu Magazine, Outono de 2018 Vers\u00e3o em portugu\u00eas Na \u00faltima d\u00e9cada, um n\u00famero crescente de brasileiros est\u00e1 mudando\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/kulanu.org\/archive\/communities\/brazil\/becoming-jewish-in-brazil\/tornando-se-judeus-no-brasilum-prefacio\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Tornando-se judeus no Brasil: Um pref\u00e1cio - 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